Como montar uma Sala de Recursos Multifuncionais eficiente em sua escola
Por Paulo Alkmim · Pinóquio Soluções Educacionais
Tem uma cena que eu não consigo esquecer. Eeu e minha mãe entramos em uma sala de recursos de uma escola estadual aqui no norte de Minas, e no armário da sala haviam varias caixas lacradas com equipamentos que nunca tinham sido abertos. A escola havia recebido os recursos há mais de um ano de nossa empresa.
Perguntei para a diretora o que havia acontecido. Ela me olhou com uma mistura de culpa e alívio, como quem esperava a pergunta, e disse: "A gente não sabe usar, os professores não buscaram conhecimento. Veio sem treinamento. Eles nem sabem o que tem aí."
Aquilo me tocou de um jeito que é difícil de explicar. Porque naquele armário não havia só jogos educativos. Havia o potencial de transformação real na vida de alunos com deficiência que estavam, naquele momento, sendo atendidos com recursos improvisados. Folhas de caderno dobradas no lugar de pranchas de comunicação. Jogos e recursos simples ao invés de alta qualidade em qualidade e função.
É por isso que a Pinóquio Soluções Educacionais existe.
A Sala de Recursos não é um depósito de materiais
Esse é o maior equívoco que encontro nas escolas. A Sala de Recursos Multifuncionais foi criada para ser um espaço de atendimento educacional especializado, um lugar onde o aluno encontra suporte individualizado para desenvolver suas potencialidades. Não é um depósito. Não é um lugar onde o aluno vai "ficar" enquanto os outros estão em aula. É um espaço pedagógico sério, com metodologia, com intencionalidade.
E para que esse espaço funcione de verdade, são necessárias pelo menos quatro coisas que raramente chegam juntas: a identificação das necessidades, os materiais certos, bem especificados; um processo de aquisição correto, dentro das normas vigentes; e uma professora de apoio motivada que saiba o que está fazendo com cada item.
Na maioria das escolas que atendo, pelo menos uma dessas quatro coisas está faltando.
O que fazemos diferente
Quando chegamos a uma escola, o primeiro passo nunca é vender material. O primeiro passo é sentar com a professora de apoio e mapear quem são os alunos que ela atende. Quais são as deficiências, os transtornos, as necessidades específicas de cada um. Só depois disso é que conseguimos dizer com segurança quais itens fazem sentido para aquela realidade.
Já atendemos escolas que precisavam de recursos para comunicação alternativa, porque tinham alunos não verbais. Já atendemos escolas cujo foco era a mobilidade, alunos com paralisia cerebral que precisavam de mesas adaptadas e materiais de preensão. Cada escola é uma realidade diferente, e o material precisa refletir isso.
Depois do levantamento, elaboramos o termo de referência com as especificações técnicas de cada item. Isso é algo que poucas escolas conseguem fazer sozinhas, porque exige um conhecimento específico sobre o que cada material faz e para qual perfil de aluno ele foi desenvolvido. Um simples erro de especificação pode resultar na compra de um equipamento que não atende nenhum dos alunos da escola.
Em seguida, acompanhamos todo o processo de aquisição, as cotações, a documentação, a prestação de contas para o FNDE e PREMIEP. E, finalmente, realizamos a capacitação presencial com a professora responsável. Não é um treinamento de uma tarde. É um processo. Porque uma professora que acaba de aprender a usar um software de comunicação alternativa precisa de suporte também depois, quando surgirem as dúvidas práticas do dia a dia.
O que muda na vida dos alunos
Tenho visto resultados que me emocionam. Alunos que há anos chegavam à escola sem conseguir comunicar o que sentiam, e que depois de alguns meses com a prancha de comunicação certa começaram a indicar dor, fome, alegria. Isso parece simples. Não é. Para uma família que passou anos sem saber se o filho estava com dor de barriga ou tristeza, esse avanço é enorme.
Tenho visto professoras que chegavam nervosas para a aula de AEE, porque não sabiam o que fazer, ficarem confiantes, criativas, empolgadas com as possibilidades que os recursos oferecem quando são usados da forma correta.
E tenho visto escolas transformarem aquela caixa lacrada em um espaço vivo, usado todos os dias, que faz diferença concreta na trajetória de crianças que a escola regular muitas vezes não sabe como incluir.
É por isso que não abro mão de acompanhar cada etapa do processo. Da identificação das necessidades, especificação à capacitação, tudo precisa estar alinhado. Porque o que está em jogo não é um equipamento. É uma criança.
Se a sua escola recebeu recursos do PDDE Estrutura ou PREMIEP e está com dificuldades em montar, especificar ou executar a Sala de Recursos, entre em contato. Atendemos escolas em todo o estado de Minas Gerais.
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