Kit de Robótica não pode ficar em um armário

Por Paulo Alkmim · Pinóquio Soluções Educacionais

Deixa eu te contar uma situação que já vi se repetir em dezenas de escolas aqui pelo norte de Minas Gerais.

A escola recebe o kit de robótica, aquele que a Secretaria Estadual de Educação enviou para que os alunos aprendam eletrônica, programação e pensamento computacional. É um kit caro, bem montado, com Arduino, sensores, motores, tudo que você imagina. A escola abre a caixa, olha o conteúdo, tira foto, e... guarda. Às vezes na sala da diretora, às vezes em um armário trancado na biblioteca.

Pergunto sempre o mesmo: por quê? E a resposta é sempre a mesma: o professor que foi designado para dar as aulas de robótica nunca viu um Arduino na vida. Nunca trabalhou com eletrônica. Foi convocado para essa função porque era o único disponível, ou porque é o professor de Matemática e alguém decidiu que isso faz sentido. Ele chegou na frente dos alunos no primeiro dia, abriu o kit, e travou.

Esse é o cenário que encontramos quando chegamos para trabalhar. E é exatamente para esse cenário que desenvolvemos o programa de Robótica e Cultura Maker da Pinóquio.

O kit de robótica sozinho não ensina ninguém

Isso é algo que aprendi depois de anos acompanhando escolas. Existe uma ilusão de que a tecnologia, por si só, transforma a aprendizagem. Que basta colocar um kit de robótica em sala de aula, um tablet, um computador para que os alunos comecem a aprender programação, eletrônica e raciocínio lógico. Não é assim que funciona.

A transformação acontece quando o professor tem confiança. Quando ele sabe o que está fazendo, quando tem uma sequência pedagógica clara, quando entende como conectar aquela aula de robótica com os conteúdos de Física, de Matemática, de Ciências que ele já trabalha. Só aí o kit vira aprendizagem. Sem isso, ele fica na caixa.

Foi pensando nisso que minha mãe, Rose Alkmim, que tem 45 anos dedicados ao ensino público mineiro, e eu desenvolvemos um programa que não começa pelo hardware. Começa pelo professor.

Como funciona o nosso programa

O programa está estruturado em 30 aulas organizadas em três trilhas progressivas: Eletrônica Básica, Robótica Educacional e Internet das Coisas. Cada aula tem um projeto concreto, os alunos constroem algo, testam, ajustam, apresentam. Nada de teoria solta no ar.

Na primeira trilha, os alunos aprendem como a eletricidade funciona montando circuitos reais. Fazem uma lanterna com gerador, um aerobarco, um ventilador com controle de velocidade. São projetos simples, mas que ensinam fundamentos que vão fazer sentido para o resto da vida.

Na segunda trilha, a robótica entra de verdade. O robô seguidor de linha que programamos na aula dezesseis, por exemplo, parece uma brincadeira, mas por trás dele há lógica condicional, calibração de sensores, programação de loops. Quando o aluno vê aquele robôzinho seguindo a linha que ele traçou, o entendimento é imediato. A abstração vira coisa concreta.

Na terceira trilha, chegamos à Internet das Coisas. Os alunos constroem uma estação de monitoramento de umidade para a horta da escola. Fazem um sistema de alarme. Criam um aplicativo simples para controlar dispositivos pelo celular. Apresentam o projeto integrador para a escola inteira no final.

Tudo isso com a Plataforma AVA da Pinóquio, trinta videoaulas autossuficientes, disponíveis a qualquer hora, com suporte em horário comercial. O professor não fica sozinho depois da formação presencial. Ele tem onde voltar quando tiver dúvida.


*Print de nossa vídeo aula.

*Print de um dos materiais de metodologias ativas desenvolvido para o professor.

O que nos diferencia

Uma das coisas que mais me orgulha no nosso programa é a parceria com a Fábrica Grillo Brinquedos. Antes de o aluno tocar no Arduino, ele já passou por jogos físicos de tabuleiro que ensinam lógica de programação. Labirintos. Sequências. Condicionais. Tudo em forma de jogo, sem tela.

Isso importa mais do que parece. Estamos em um momento em que as crianças já têm exposição digital em excesso. Quando a robótica começa pelo físico, pelo toque, pela montagem com as mãos, o aprendizado se aprofunda de um jeito diferente. O aluno entende o conceito antes de codificá-lo.

Outro diferencial é o suporte socioemocional que oferecemos aos professores. O doutor Danillo Lisboa, que é doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo e integra nossa equipe, trabalha especificamente com a dimensão humana da implementação. Porque um professor resistente à inovação tecnológica não vai usar o kit. Não importa o quanto o kit seja bom. Essa resistência precisa ser trabalhada com cuidado, com escuta, com acolhimento, não com cobrança.

Temos também a professora Daniela Mello, mestre em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Minas Gerais, responsável pelo design instrucional de todas as trilhas. E a doutora Ellen Parrela, doutora em Educação também pela Universidade Federal de Minas Gerais, que assegura o alinhamento com a Base Nacional Comum Curricular e as metodologias ativas.

É uma equipe que acredita no que faz. E isso aparece no resultado.

O que espero para os próximos meses

Nossa proposta de projeto piloto começa com dez escolas da região de Montes Claros. Quero ver essas escolas apresentando projetos de robótica em feiras regionais. Quero ver professores que chegaram travados na frente do kit saindo das formações com planos de aula prontos e com vontade de dar aula. Quero ver alunos que nunca imaginaram que poderiam programar um robô descobrindo que são capazes.

Quando isso acontecer, o próximo passo é levar o programa para as outras regiões do estado. Minas Gerais tem quarenta e sete superintendências regionais de ensino. Há muito chão pela frente, e eu estou entusiasmado com cada passo.

Se a sua escola tem um kit de robótica parado e não sabe o que fazer com ele, ou se quer iniciar um programa de robótica com metodologia sólida e suporte real, entre em contato. A plataforma de cursos online também está disponível.

Curso online: pinoquioeducacao.eadplataforma.app
WhatsApp: (38) 99752-8268
E-mail: contato@pinoquio.com.br

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