Quantos desses alunos já saíram da cidade onde nasceram?
Existe uma pergunta que me acompanha há anos neste trabalho, e que volta toda vez que visito uma escola do interior de Minas Gerais:
Quantos desses alunos já saíram da cidade onde nasceram?
Não estou falando de viagem de férias, de resort ou de avião. Estou falando de algo muito mais simples e ao mesmo tempo muito mais raro do que parece: simplesmente sair. Ver um museu. Entrar numa gruta. Caminhar num jardim botânico. Passar a noite num lugar diferente. Acordar no dia seguinte num mundo que não é o que você conhece desde criança.
Para uma parcela grande dos nossos alunos de escola pública, essa experiência nunca aconteceu. E pode nunca acontecer, a não ser que a escola tome essa iniciativa.
Uma viagem que nasceu com propósito
Em novembro de 2023, a Pinóquio Soluções Educacionais organizou uma viagem pedagógica para os alunos e professores da E.E. Guimarães Rosa, de Lontra, no norte de Minas Gerais. Três dias, cinco destinos, mais de 200 estudantes do Ensino Médio.
O roteiro passou por Belo Horizonte, pelo Instituto Inhotim, pela Gruta de Maquiné, e chegou até Cordisburgo, a cidade natal do escritor que dá nome à própria escola. Tínhamos transporte, hospedagem e alimentação organizados. Mas o que mais nos importava estava no planejamento que aconteceu antes de o ônibus sair.
Porque viagem pedagógica não começa na porta da escola no dia da partida. Ela começa em sala de aula, semanas antes, quando os professores constroem com os alunos o contexto do que vão ver, do que vão sentir, do que vão descobrir. É isso que transforma um passeio em aprendizado.
Inhotim: quando a arte encontra a vida
Quando chegamos a Inhotim, vi em muitos rostos aquela expressão que só aparece quando alguém está diante de algo que nunca imaginou que existia. Um museu a céu aberto, com obras de arte espalhadas por um jardim botânico de quase 700 hectares. Arte contemporânea, natureza, silêncio e beleza, tudo ao mesmo tempo.
Para os professores de Artes e Biologia, foi uma aula que nenhum livro didático poderia dar. Para os alunos, foi algo diferente: foi a descoberta de que existe um mundo enorme além do que eles conhecem, e que eles têm o direito de fazer parte dele.
A Gruta de Maquiné: geologia com capacete na cabeça
Tem coisa mais poderosa do que ensinar formações rochosas com as mãos podendo tocar a pedra? A Gruta de Maquiné faz isso. Estalactites, estalagmites, o tempo geológico se tornando visível, e um grupo de adolescentes, com capacetes brancos na cabeça, aprendendo Ciências da forma que deveria ser sempre: com os olhos abertos de espanto.
O professor não precisa explicar o que é erosão quando o aluno está dentro de uma caverna de calcário formada há milhares de anos. A caverna explica sozinha.
Cordisburgo: onde a literatura vira chão debaixo dos pés
Mas foi em Cordisburgo que aconteceu o momento que eu não consigo descrever sem emoção.
Pense num aluno que estudou durante anos numa escola chamada E.E. Guimarães Rosa. Que leu fragmentos de Grande Sertão: Veredas. Que decorou datas, citações, características do regionalismo. E que nunca tinha ido à cidade onde esse homem nasceu, cresceu, olhou para o sertão e decidiu transformá-lo em literatura.
Em Cordisburgo, a literatura saiu da página. O sertão que Guimarães Rosa descreveu estava ali, na paisagem, nas ruas, na casa onde ele viveu. Os alunos perceberam, talvez pela primeira vez, que por trás de todo livro existe um ser humano com uma história. E que essa história tem um lugar no mapa.
Interdisciplinaridade de verdade acontece assim
Muito se fala em interdisciplinaridade nos documentos pedagógicos e nas formações de professores. E é lindo na teoria. Mas na prática, ela precisa de um pretexto, de uma experiência comum que faça os professores de disciplinas diferentes olharem para o mesmo objeto e perguntarem coisas diferentes sobre ele.
Uma viagem pedagógica é esse pretexto. Inhotim é Arte e Biologia ao mesmo tempo. A gruta é Ciências e Matemática e Física. Cordisburgo é Literatura e História e Geografia. O ônibus rodando por Minas Gerais é uma aula de território, de diversidade, de pertencimento.
E quando os alunos voltam, eles voltam diferentes. Com referências novas. Com perguntas que não tinham antes. Com a sensação, rara e preciosa, de que aprenderam algo que vai ficar.
Para muitos, talvez seja a única vez
Preciso ser honesto sobre isso porque é o que mais me move.
Não tenho ilusões sobre a realidade das famílias que dependem da escola pública no interior de Minas. Para muitos dos alunos que viajaram conosco em novembro e dezembro de 2023, aquela foi a primeira vez que saíram do município onde nasceram. Talvez seja, por muito tempo ainda, a única viagem que vão fazer.
Isso não é dramatismo. É uma responsabilidade que a escola precisa encarar de frente. Se não é a escola que abre essa janela, quem vai abrir?
A desigualdade entre alunos de escolas públicas e privadas não está apenas nos equipamentos ou nos salários dos professores. Está nas experiências. Está no repertório. Está em tudo que uma criança ou um adolescente viveu, ou deixou de viver, antes de fazer 18 anos.
Uma viagem pedagógica bem planejada não resolve tudo. Mas ela diz para um aluno, de um jeito que nenhum discurso consegue: você merece conhecer o mundo.
O papel da escola — e o nosso
Sei que organizar uma viagem assim não é simples. Há questões logísticas, financeiras, burocráticas. Pais que precisam autorizar. Recursos que precisam ser justificados. Professores que precisam de planejamento para além do dia a dia já exaustivo.
É exatamente por isso que a Pinóquio existe nesse processo. Cuidamos de tudo que é logística, transporte, hospedagem, alimentação, roteiro, documentação, para que a escola possa focar no que é dela: o planejamento pedagógico, a preparação dos alunos, o aproveitamento de cada momento da viagem.
Se você é diretor ou professor e está lendo isso pensando "minha escola precisava disso", entre em contato. Vamos conversar sobre o que é possível para a sua realidade, com o orçamento e o calendário que você tem.
Porque a Pinóquio acredita, de verdade, que mudar o início da história de um aluno é mudar o seu fim.
— Paulo Alkmim
Pinóquio Soluções Educacionais
Atendemos escolas em todo o estado de Minas Gerais.
Fale com a gente — sem compromisso.
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